Educação e Cultura debate música nas escolas
Com a presença de diversos profissionais da música, como o compositor e maestro Mário Ficarelli, e representantes de projetos educacionais e do Sindicato dos Músicos Profissionais Independentes, a Comissão de Educação e Cultura debateu nesta quarta-feira, 20/6, o Projeto Música nas Escolas. Por iniciativa do deputado Simão Pedro, a audiência foi presidida extraordinariamente pela deputada Leci Brandão (PCdoB), por motivo de viagem do parlamentar petista. Simão Pedro esta semana está na França participando do Encontro Mundial de Recursos Educacionais Abertos.
A Comissão de Educação ouviu os apelos da classe para a importância e urgência de ampliar os debates sobre a forma como a legislação federal 11768, sancionada em 2008 pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, será implantada. A medida previa período de adaptação de três anos para ser implantada, prazo que encerra esse ano. A lei federal tornou obrigatório o ensino de música na Educação Básica, como conteúdo da disciplina de Artes. Foi dado um prazo de três anos para que conselhos municipais e estaduais de Educação regulamentassem a lei, o que não ocorreu no Estado de São Paulo.
Sobre a inclusão de música no currículo, a educadora Enny Parejo disse:”desculpas não faltam, mas deveria haver mais vontade política.”
Representando a secretaria de Educação, Lucia Mandel falou sobre a dificuldade de se “encaixar” mais uma disciplina na carga horária e sobre a falta de professores especializados. Questionado diversas vezes pelos deputados presentes, não apresentou solução ou alternativa, apenas delegou a responsabilidade ao Conselho Estadual de Educação.
Para os participantes, o ensino da música, além de contribuir e acrescentar para a formação cultural e histórica dos alunos, cria cidadãos mais conscientes. Devido à extinção do ensino musical nas escolas, ocorrido há 41 anos, existem poucos profissionais com licenciatura em música aposentados. “Esse universo é muito pequeno, comparado ao dos músicos que fizeram cursos diversos (como economia, administração e outros) e depois se dedicaram à música”, comentou o presidente do Sindicato dos Músicos Independentes, Paulo Santana.
A questão é considerada gravíssima, tanto que o maestro e compositor Mário Ficarelli, há 60 anos profissional da música, enfatizou que é impossível uma pessoa aprender em 30 horas como lecionar a atividade nas escolas. “Ninguém aprende em tão pouco tempo como aprender a ensinar música. Há 60 anos na profissão, ainda estou aprendendo”, ressaltou o maestro, que lamentou a aceitação de certificados com 30, 60 ou 80 horas de duração de como dar aulas de música.
Conforme Ana Guedes, também do sindicato dos músicos, o secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, se mostrou um profissional acessível e solidário. “A implantação do Projeto Música nas Escolas requer coragem, agilidade e vontade, sobretudo política.” A doutora em Educação Enny Parejo apresentou parte do projeto sobre Polos Orquestrais Musissinphos, de iniciativa do amestro Ficarelli e voltado para crianças e adolescentes dos ensinos fundamental e médio. A iniciativa teve como base uma experiência adotada na Venezuela há 35 anos.
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